Como a linguagem utilizada afeta a percepção do público

Young woman having a video call on mobile phone while sitting at the transport stop outdoors. Online communication concoept

Na última semana de janeiro, o assunto do momento nas redes sociais foi o Big Brother Brasil 2021 e as vacinas do coronavírus. Estes dois temas, aparentemente tão opostos, acabaram virando uma única grande confusão que tomou conta das redes sociais: primeiro com indignação e, depois, pelos memes.

“Mas o que isso tem a ver com linguagem?” você deve estar se perguntando. A resposta é: tudo! Todo o caso foi em função da escolha de palavras, se tornando um ótimo exemplo de porque é tão importante, na hora de criar conteúdos, entender não só sobre o assunto e seu público, mas também do contexto em que será publicado.

Entendendo o ocorrido:

A tradição de participantes imunizados (que não podem ser eliminados na semana) não é um conceito novo em reality shows pelo mundo e, no Big Brother Brasil, já faz parte do conhecimento popular. Nesta edição, seis participantes foram votados pelo público para receber essa proteção da eliminação, então, naturalmente, a matéria, cuja manchete era “’BBB21′ estreia com seis participantes imunizados e prova de resistência”, parecia adequada.

Porém, no momento delicado da pandemia global que vivemos, “imunização” e palavras derivadas estão em alta. Por toda mídia vemos notícias da vacina e de pessoas e grupos prioritários sendo imunizados contra o coronavírus, logo, diferentemente de outros anos, o termo “imunizados” assume peso bem diferente.

A manchete, que não teria chamado atenção em outros anos, gerou uma resposta polêmica (e até mesmo agressiva) por parte do público nas redes sociais em função da imediata conexão do termo imunizados com a vacina, e começaram questionamentos: “Os participantes estão atuando na linha de frente do combate ao covid-19?” ou “Eles são parte do grupo de risco?”, que depois passaram a acusar a manchete de ser sensacionalista.

No final, o acontecimento virou meme, mas ele nos oferece uma ótima reflexão:

Se o termo já é clássico do reality show, por que a polêmica? O que poderia ser feito diferente?

Porque a escolha da linguagem que nos comunicamos com nosso público vai muito além de somente palavras que transmitem uma informação. Além dos termos específicos de uma situação, precisamos pensar no contexto todo que nos envolve e que envolve o público leitor. Os acontecimentos do mundo influenciam muito na maneira como interpretamos cada informação que chega a nós.

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Como redatores, influenciadores, porta-voz de marcas, jornalistas, personalidades ou em qualquer posição que cria-se conteúdo (até mesmo nas nossas redes pessoais), precisamos pensar nas possibilidades de interpretação do que escrevemos.

A escolha de usar a palavra “imunizados” não só causou uma confusão por ambiguidade, mas despertou sentimentos negativos: frustração com pessoas “vacinadas” fora do grupo de prioridade, raiva com a má gestão das vacinas, preocupação com a política de distribuição, etc. Se fosse um conteúdo publieditorial (patrocinado por uma marca para oferecer conteúdo com publicidade ao leitor), esses sentimentos negativos poderiam afetar seriamente o patrocinador, e até mesmo prejudicar oportunidades futuras.

Tudo poderia ter sido evitado mantendo a palavra “imunizados” somente na fala do apresentador ou durante a transmissão do BBB21 e fora dos meios tradicionais que veiculam outras notícias com o tema de imunização (referente à pandemia). Por exemplo, a manchete poderia ser reescrita para “’BBB21″ estreia com seis participantes protegidos da eliminação e prova de resistência”. Desta forma, a mensagem fica objetiva, fácil de compreender e evita que possa haver ambiguidade na interpretação.

Então, antes de postar um conteúdo, sempre pense no que está acontecendo no mundo, quem é seu público e como ele está lidando com esses acontecimentos, então veja se o seu texto não está muito amplo para interpretações diferentes da proposta!

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